Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862

Allan Kardec

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Desde que deixei nossa bela pátria, vi muitas terras.

Escuto chamar-me.

Cada um me diz: “Venha, venha, por favor: nós queremos versos de Béranger”.

Deixai, porém, repousar essa musa risonha.

Hoje ela mora nos vastos campos dos ares e, para louvar a seu Deus, sua voz sempre alegre se mistura diariamente aos concertos celestes.

Outrora ela cantou em árias muito frívolas, mas seu coração era bom.

Chamando-a a si, Deus não julgou más suas palavras levianas.


Ele amava e orava sem detestar ninguém.

Se eu pude flagelar a raça capuchinha, com isso os franceses deram boas risadas.

E se o bom Deus me destinar a regressar à Terra, reservarei para eles um estribilho de troça.


Arre! Vocês me assassinam, ó gente leviana! Versos! Sempre versos!

O pobre Béranger os fez em quantidade, ao passar pela Terra.


E contra eles a sua morte devia protegê-lo.


Mas, não! Nada disso! Que se cumpra o seu destino!


Eu esperava, ao morrer, que Deus o tivesse impedido.

Do pobre Béranger assistis ao suplício, e quereis puni-lo, ai de mim! por seu pecado.


BÉRANGER

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