Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862

Allan Kardec

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Escravidão! Quando se pronuncia este nome, o coração sente frio, porque vê à sua frente o egoísmo e o orgulho. Quando um padre vos fala de escravidão, refere-se a esta escravidão da alma, que rebaixa o Espírito do homem e o faz esquecer a sua consciência, isto é, a sua liberdade. Oh! sim, essa escravidão da alma é horrível e diariamente excita a eloquência de muitos pregadores. Mas a escravidão do hilota, a escravidão do negro, que se torna aos seus olhos? Diante dessa questão o sacerdote mostra a cruz e diz: “Esperai!”. Com efeito, para esses infelizes é a consolação a oferecer; e ela lhes diz: “Quando vosso corpo for dilacerado pelo chicote e morrerdes de sofrimento, não penseis mais na Terra. Pensai no Céu.”

Tocamos aqui uma das questões mais graves e terríveis que agitam a alma humana e a lançam na incerteza. Está o negro à altura dos povos da Europa e a prudência humana, ou antes, a justiça humana deve mostrar-lhe a emancipação como o meio mais seguro de chegar ao progresso da civilização? Nessa questão os filantropos mostram o Evangelho e dizem: “Jesus falou de escravos?” Não, mas Jesus falou da resignação e disse estas sublimes palavras: “Meu reino não é deste mundo”.

John Brown, quando eu contemplo teu cadáver na forca, sinto-me tomado de profunda piedade e de admiração entusiasta, mas a razão, essa brutal razão que incessantemente nos arrasta ao porquê, nos leva a nos perguntarmos a nós mesmos: “Que teríeis feito após a vitória?”.

ALLAN KARDEC

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