Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862

Allan Kardec

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1. Evocação. ─ Eis-me aqui.

2. ─ Nossa evocação vos dá prazer? ─ Sim, pois muito poucos de vós pensam neste pobre Espírito trocista.

3. ─ Qual a vossa posição no mundo espírita? ─ Feliz

4. ─ Que pensais da atual geração de homens que vive na Terra? ─ Penso que quase nada progrediram em moralidade, pois se eu vivesse entre eles, poderia aplicar os meus Caracteres com a mesma verdade chocante que os destacou quando eu vivia. Encontro os meus gastrônomos, os meus egoístas, os meus orgulhosos nos mesmos pontos em que os deixei quando morri.

5. ─ Vossos Caracteres gozam de merecida reputação. Qual a vossa opinião atual sobre as vossas obras? ─ Penso que não tinham o mérito que lhes atribuís, pois teriam produzido outro resultado. Mas compreendo que nenhum dos que leem se compara a qualquer daqueles retratos, posto a maioria seja expressão chocante da verdade. Todos tendes uma pequena dose de amor-próprio suficiente para aplicar ao próximo os vossos defeitos pessoais e jamais vos reconheceis quando vos pintam com traços verdadeiros.

6. ─ Acabastes de dizer que os Caracteres poderiam ser hoje aplicados com a mesma verdade. Então não achais os homens mais adiantados? ─ Em geral a inteligência avançou, mas o aprimoramento moral não deu um passo. Se Molière e eu ainda pudéssemos escrever, não faríamos senão aquilo que fizemos: trabalhos inúteis que vos advertiram sem vos corrigir. O Espiritismo será mais feliz. Pouco a pouco vos conformareis à sua doutrina e reformareis os vícios que em vida vos apontamos.

7. ─ Pensais que a Humanidade ainda será rebelde aos avisos dados por Espíritos encarnados em missão na Terra e pelos Espíritos que vêm ajudá-los? ─ Não. A época do progresso e a da renovação da Terra e de seus habitantes chegou. É por isso que os bons Espíritos vêm prestar-vos o seu concurso. Eu vos disse bastante por esta noite. Prepararei um dos meus Caracteres para daqui a alguns dias.

8. ─ Os vossos Caracteres não podem ser aplicados também a alguns Espíritos errantes movidos por idênticos sentimentos? ─ A todos os que, na condição de Espíritos, têm ainda as mesmas paixões que em vida os dominavam. Perdoai-me a franqueza, mas quando me chamardes, eu vos direi as coisas sem finura e sem rodeios. Adeus.

JEAN DE LA BRUYÈRE

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