Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862

Allan Kardec

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É o homem limitado na inteligência e nas sensações. Não pode compreender além de certos limites, e então pronuncia a palavra sacramental que tudo explica: Sobrenatural.

A palavra sobrenatural, na ciência nova que estudais, é palavra convencional. Ela existe para nada exprimir. Com efeito, o que essa palavra significa? Fora da Natureza; além do que é conhecido por nós.

Não há nada mais insensato e absurdo do que aplicá-la a tudo quanto está fora de nós. Para o homem que pensa, a palavra sobrenatural não é definitiva. Ela é vaga; ela faz pressentir.

É bem conhecida a frase banal do incrédulo por ignorância: “É sobrenatural. Ora, a razão, etc. etc.” Que é a razão? Ah! Quando a Natureza, alargando-se e agindo dominadora, nos mostra tesouros desconhecidos, a razão, neste sentido, se torna irracional e absurda, pois persiste, a despeito dos fatos. Ora, se há um fato, é que a Natureza o permite. A Natureza tem para nós manifestações sublimes, certamente, mas muito restritas, se entrarmos no domínio do desconhecido. Ah! Quereis escavar a Natureza; conhecer a causa das coisas, causa rerum, e julgais desnecessário pôr de lado vossa razão banal? Estais brincando, senhores. Que é a razão humana senão a maneira de pensar do vosso mundo? Correis de planeta a planeta e pensais que a razão vos deve acompanhar? Não, senhores. A única razão que deveis ter em meio a todos esses fenômenos é o sangue frio e a observação a partir desse ponto de vista, e não do ponto de vista da incredulidade.

Ultimamente abordamos questões muito sérias, como vos lembrais, mas, no meio do que dizíamos, não concluímos que todo mal vem dos homens. Depois de muitas lutas e discussões, também chegam os bons pensamentos, uma nova fé e esperanças novas. O Espiritismo, como eu vos disse ultimamente, é a luz que deve iluminar, de agora em diante, toda inteligência votada ao progresso.

A prece será o único dogma e a única prática do Espiritismo, isto é, a harmonia e a simplicidade. A arte será nova, porque fecundada pelas ideias novas. Pensai que toda obra inspirada por uma ideia filosófico-religiosa é sempre manifestação poderosa e sã, e o Cristo será sempre a Humanidade, mas não a Humanidade sofredora: será a Humanidade triunfante.

LAMENNAIS

ALLAN KARDEC

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