Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862

Allan Kardec

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Nos últimos tempos têm sido comentados certos fenômenos estranhos operados pela senhorita Godu e que consistiriam notadamente na produção de diamantes e de grãos preciosos por meios não menos estranhos. O Sr. Morhéry escreveu-nos a respeito uma longa carta descritiva e algumas pessoas admiraram-se de que não a tivéssemos comentado. A razão disso é que não aceitamos nenhum fato com entusiasmo. Examinamos as coisas friamente antes de aceitá-las, pois nos ensina a experiência quanto devemos desconfiar de certas ilusões.

Se tivéssemos publicado sem exame todas as maravilhas que nos foram relatadas mais ou menos de boa-fé, nossa revista talvez se tivesse tornado mais divertida, mas devemos conservar-lhe o caráter sério que sempre teve.

Quanto à nova e prodigiosa faculdade que se teria revelado na senhorinha Godu, francamente achamos que a de médium curador era mais preciosa e mais útil à Humanidade, e mesmo à propagação do Espiritismo. Contudo, nada negamos, e aos que pensam que com tal notícia logo teríamos tomado a estrada de ferro para nos certificarmos, responderemos que, se a coisa é verdadeira, não deixará de ser constatada oficialmente. Então será o momento de falar, e não teremos nenhuma reserva em ser o primeiro a proclamá-la.

Eis um resumo da resposta que demos ao Sr. Morhéry:

“...É certo que não publiquei todos os relatórios que me enviastes sobre as curas operadas pela senhorinha Godu, mas disse o bastante para chamar a atenção para ela. Falar constantemente do caso

fora dar a impressão de estar a serviço de interesses particulares. Aconselhava a prudência esperar que o futuro confirmasse o passado.

Quanto aos fenômenos que relatais na última carta, são tão estranhos que não me aventurarei a publicá-los senão quando tiver a sua confirmação de maneira irrefutável. Quanto mais anormal um fato, mais circunspecção ele exige. Não vos surpreendereis de que eu use muita, em tais circunstâncias. É este, também, o conselho do Comitê da Sociedade, ao qual submeti a vossa carta. Por unanimidade foi decidido aguardar o desenvolvimento, antes de falar do caso. Até agora tal fato é tão contrário a todas as leis naturais, e mesmo a todas as leis conhecidas do Espiritismo, que o primeiro sentimento que provoca, mesmo entre os espíritas, é de incredulidade. Falar dele antecipadamente e antes de poder apoiar-se em provas autênticas seria excitar inutilmente a veia dos trocistas.”

NOTA: Adiamos para o próximo número a publicação de diversas evocações e dissertações espíritas de subido interesse.

ALLAN KARDEC




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