Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1863

Allan Kardec

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Ninguém poderá tornar-se bom médium se não conseguir despojar-se dos vícios que degradam a Humanidade. Todos esses vícios se originam do egoísmo, e como a negação do egoísmo é o amor, toda virtude se resume nesta palavra: Caridade.

A caridade é ensinada pelo preceito: Quod tibi non vis, etc. Deus não só a gravou de modo indelével no coração do homem, mas a sancionou por seu próprio fato, dando-nos o seu Filho por modelo de caridade e de abnegação. Se ela deve ser o guia de cada um, seja qual for a sua condição social, é sobretudo a condição sine qua non de todo bom médium.

Todo homem pode tornar-se médium, mas a questão não é ser médium, é ser bom médium, o que depende das qualidades morais. É verdade que os Espíritos se comunicam com homens de todas as condições, mas com a missão de aperfeiçoálos, se suas qualidades forem boas, e eles operam esse aperfeiçoamento submetendoos às mais duras provas para purificá-los, provas que o homem de bem suporta sem desmentir o sentimento moral de sua consciência e sem se deixar desviar do bom caminho pela tentação. Os Espíritos se comunicam com aqueles cujas qualidades são más, para guiá-los pela mão e levá-los a uma conduta mais conforme à razão e mais em harmonia com o objetivo para o qual deve tender todo homem persuadido de que sua existência neste mundo não é senão expiação. Quando há mistura de bem e de mal, os Espíritos provocam a melhora por processos intermediários.

Muitos serão abandonados por seus Espíritos, por não quererem compreender que a caridade é o único meio de progredir. E então, infeliz daquele que não tiver querido ouvir a voz da verdade! Deus perdoa à ignorância, mas não ao que faz o mal conscientemente. O objetivo de nossa missão é a vossa melhora moral e o vosso dever é igualmente o vosso melhoramento, mas não espereis melhora de qualquer sorte sem a caridade.

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