Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1863

Allan Kardec

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(Thionville - Médium: Dr. R...)

Disse um poeta:

“Só é belo o verdadeiro; só o verdadeiro é agradável.”

Reconhecei neste verso uma das mais belas inspirações jamais dadas ao homem. O verdadeiro é a linha reta; o verdadeiro é a luz, cujo esplendor não precisa ser velado para homens justos cujo espírito é maravilhosamente disposto para compreender seus imensos benefícios. Por que, na nossa Sociedade atual, a luz tantocusta para ser percebida pela maioria? Por que o ensino da verdade é cercado de tantos obstáculos? É que até agora a Humanidade não fez progressos bastante significativos, desde a origem do Cristianismo. Desde o Cristo, que teve que velar seus ensinamentos sob a forma de alegorias e parábolas, todos os que tentaram propagar a verdade não foram mais escutados que seu divino Mestre. É que a Humanidade devia progredir com uma sábia lentidão, para que a marcha fosse mais segura. É que ela necessitava de um longo noviciado para tornar-se apta a se conduzir por si mesma.

Mas tranquilizai-vos! O sol da regeneração, há muito na sua aurora, não tardará a espargir sobre vós sua ofuscante claridade. A verdadeira luz vos aparecerá, e sua influência benfazeja estender-se-á a todas as classes sociais. Quantos, então, admirar-se-ão por não terem acolhido mais cedo esta verdade, que data da mais alta Antiguidade, e que um sentimento de orgulho lhes fez sempre contorná-la sem vêla!

Ao menos desta vez não tereis que sofrer nenhum desses horríveis cataclismos que parecem outras tantas balizas destinadas a marcar, através dos séculos, a marcha da verdadeira luz. Melhor instruídos, os homens compreenderão que os desmoronamentos que deixam após si uma esteira de fogo e sangue não se enquadrariam hoje nos nossos costumes, abrandados pela prática da caridade. Eles compreenderão, enfim, o alcance das palavras sublimes, outrora proferidas pelo Cristo: “Paz aos homens de boa vontade!”

Não haverá outra guerra senão a que será feita às paixões más. Todos reunirão suas forças para expelir o espírito do mal, cujo reino desastroso apenas deteve longamente o avanço da civilização. Todos se deterão na certeza de que a verdadeira luz é a única conquista legítima; a única a que legitimamente devem doravante ambicionar; a única que poderá conduzi-los à felicidade.

À obra, pois, vós que sustentais a bandeira do progresso! Não temais arvorá-la alta e firme, para que de todos os recantos do globo os homens possam acorrer e pôr-se sob sua égide. Pedi ao nosso Pai celeste a força e a energia que vos são indispensáveis para esta grande obra, e se aqui na Terra não puderdes gozar da felicidade de vê-la realizada, que ao menos, ao morrer, leveis a convicção de que vossa existência foi útil a todos, e que a mais doce recompensa vos espera entre nós: a alegria de ter cumprido vossa missão para a maior glória de Deus.

ESPÍRITO FAMILIAR.



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