Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1863

Allan Kardec

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(Sociedade Espírita de Paris, 11 de Julho de 1862 - Médium: Sr. Flammarion)

Escutastes o ruído confuso do mar, retumbando quando o aquilão enche as vagas ou quando quebra, rugindo suas ondas argênteas sobre a praia?

Escutastes o estalo sonoro do raio nas nuvens sombrias ou o murmúrio da floresta ao sopro do vento da tarde?

Escutastes do fundo da alma essa múltipla harmonia, que não fala aos sentidos senão para atravessá-los e chegar até o ser pensante e amante?

Se, pois, não escutastes e entendestes estas mudas palavras, não sois filhos da revelação e ainda não credes.

A esses direi: “Saí da cidade à hora silenciosa em que os raios estrelados descem do céu, e colhendo em vós mesmos os pensamentos íntimos, contemplai o espetáculo que vos cerca e chegareis antes da aurora a partilhar a fé dos vossos irmãos”.

Aos que já creem na grande voz da Natureza eu direi: “Filhos da nova aliança, é a voz do Criador e do conservador dos seres que fala no tumulto das ondas e no ribombar do trovão; é a voz de Deus que fala no sopro do vento. Amigos, escutai de novo, escutai várias vezes, escutai muito tempo, escutai sempre, e o Senhor vos receberá de braços abertos”.

Ó vós que já escutastes sua voz potente aqui embaixo, vós a compreendereis melhor no outro mundo.

GALILEU

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