Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1863

Allan Kardec

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(Sociedade de Paris, 4 de julho de 1863 - Médium: Sr. A. Didier)


O sacrifício da carne foi severamente condenado pelos grandes filósofos da Antiguidade.

O Espírito elevado revolta-se à ideia do sangue, e sobretudo à ideia de que o sangue é agradável à Divindade. Notai bem que aqui não se trata de sacrifícios humanos, mas unicamente de animais oferecidos em holocausto.

Quando o Cristo veio anunciar a Boa Nova, não ordenou sacrifícios de sangue, porquanto ocupou-se unicamente do Espírito.

Os grandes sábios da Antiguidade igualmente tinham horror a esse tipo de sacrifícios, e eles próprios só se alimentavam de frutos e raízes.

Na Terra, os encarnados têm uma missão a cumprir. Eles têm o Espírito, que deve ser nutrido pelo Espírito, e o corpo, que deve ser nutrido com a matéria, mas a natureza da matéria influi ─ compreende-se facilmente ─ sobre a densidade do corpo e, em consequência, sobre as manifestações do Espírito.

Os temperamentos naturalmente muito fortes para viver como os anacoretas fazem bem, porque o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece. Mas, para viver assim, geralmente seria necessária uma natureza mais espiritualizada que a vossa, o que é impossível com as condições terrestres, e como, antes de tudo, a Natureza jamais age contra o bom-senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações.

É possível ser bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto, desde que se seja uma pessoa razoável. É uma questão algo leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa.

LAMENNAIS

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